
SertanejaMENTE
Por: Aluciano Martins
Fito a paisagem grafite e a aridez desse chão
Dessa terra em preto e branco
De valentia e encanto
Que aqui chamamos Sertão
Na flora mandacarus, xiquexiques e quipás
Na fauna os rastejantes,
Calangos e emigrantes,
Raposas e carcarás
Casebre de pau-a-pique, a cadela, a procissão
A enxada e o jumento, labutam no meu quinhão
No crepúsculo da jornada, lavo o rosto na bacia
Pensamentos esquisitos me chegam no fim do dia
No velho fogão de lenha, tem preá com rubacão
No pote a água salobra da cacimba no oitão
Estrelas vazam o breu como se o perfurar-se
Sinto lágrimas teimosas, nas rugas da minha face
Perco o sonho olhando a serra, vejo a noite que se enterra
E o “Astro Maior” surgir
Nosso Sol arde brilhante, encandeia o governante
Que muda a vista daqui
E cercado de beleza, delírio e desilusão
Socializo a utopia
Que no meu peito alumia
Um viver sem gratidão.